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Flávio Bolsonaro usou carro diplomático argentino, escolta e fraudou registros migratórios na fuga

O blog do Magal - Opinião, cultura, economia e Política


Uma minuciosa investigação jornalística exibida pelo Fantástico, da TV Globo, trouxe à tona a teia logística e geopolítica montada para retirar do Brasil o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar deixou o território nacional após a expedição de uma ordem do Supremo Tribunal Federal que determinava a entrega imediata de seus passaportes às autoridades policiais. 



A apuração, fundamentada em documentos de imigração argentinos obtidos via cooperação internacional, revelou uma manobra coordenada que envolveu o uso de estrutura estatal da Argentina, apoio de escolta armada, fraude nos registros de fronteira e a intercessão direta de agentes ligados à política norte-americana.

A complexa operação transfronteiriça mobilizou aviões particulares, empresas de fachada, veículos com placas diplomáticas e contou até mesmo com a presença de um ex-agente do serviço de inteligência de Israel, o Mossad. O destino final foi a Flórida, nos EUA, onde o parlamentar desembarcou sob forte esquema de proteção e silêncio institucional.

Estratégia da saída em duas frentes: do Distrito Federal à fronteira sul

Para driblar os sistemas de controle e dificultar a rastreabilidade por parte dos órgãos de fiscalização brasileiros, o plano de evasão foi executado de forma fracionada nas primeiras horas da terça-feira, 27 de outubro. O senador decolou da capital federal por volta das 5h05 a bordo de um jato executivo Cessna Citation Excel, aeronave associada à estrutura do advogado Willer Tomaz, aliado próximo do parlamentar e acusado de inúmeros crimes. O voo inicial seguiu rumo ao aeroporto de San Fernando, na região metropolitana de Buenos Aires, onde o avião pousou às 8h40. De lá, as investigações apontam que Flávio seguiu em uma segunda ligação aérea privada com destino a Puerto Iguazú, cidade argentina limítrofe com Foz do Iguaçu (PR).


Paralelamente, a esposa do parlamentar, Fernanda Bolsonaro, juntamente com as duas filhas do casal, deixava Brasília em uma segunda aeronave de pequeno porte. O grupo familiar desembarcou no município de Cascavel, no interior do Paraná. No começo da noite, às 20h02, as três embarcaram no hangar do aeroporto paranaense em um utilitário pertencente à empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda.

A checagem do endereço fiscal da referida agência de viagens pelo Fantástico junto aos bancos de dados da Receita Federal expôs inconsistências profundas: no local indicado, funciona apenas um estacionamento comercial sem qualquer relação operacional com turismo. Questionada pela reportagem da TV Globo, a administradora do espaço confirmou ter parentesco com uma das sócias formais da Dallas, limitando-se a declarar que o seu comércio era apenas o estacionamento. Em nota publicada posteriormente nas redes virtuais, a empresa negou ter prestado serviços de translado para a família do político.

Inconsistências migratórias e a controversa escolta governamental

A travessia terrestre entre o Paraná e a província de Misiones revelou indícios contundentes de adulteração e inserção de dados falsos nos sistemas de controle migratório da Argentina. Registros oficiais obtidos pela reportagem mostram que duas vans ligadas à mesma empresa de transporte cruzaram a fronteira em horários próximos naquela noite. No primeiro veículo, constavam os dados válidos de entrada da esposa e das filhas do parlamentar.

No que diz respeito a Flávio Bolsonaro, contudo, o sistema da imigração argentina registrou um fenômeno atípico: a entrada do senador foi computada três vezes em um curto intervalo de 40 minutos na mesma van. Os lançamentos ocorreram às 22h37, com o passaporte italiano, às 22h40, usando apenas a carteira de motorista, e às 23h11, ao apresentando passaporte brasileiro. As autoridades locais cancelaram as duas últimas entradas registradas com documentos brasileiros, mantendo ativa apenas a validação efetuada com a cidadania europeia.

A inconsistência ganha contornos ainda mais graves diante da principal linha de apuração dos investigadores: Flávio jamais esteve no interior daquela van. O parlamentar teria chegado a Puerto Iguazú por via aérea vindo de Buenos Aires e permanecido durante horas aguardando no interior do jato na pista do aeroporto local até a chegada de seus parentes.

Outra van que antecedeu o comboio familiar em sete minutos transportava o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre, integrante da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o cidadão israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-oficial do Mossad (serviço de inteligência de Israel). Halevy, que ostenta fotos em compromissos públicos ao lado do primeiro-ministro extremista Benjamin Netanyahu, havia ingressado no Brasil dia 19 de outubro e já registrava sucessivas viagens ao país ao longo do ano.

O jornalista argentino Nicolás Munafó, do canal de notícias C5N, testemunhou a chegada do aparato ao aeroporto de Puerto Iguazú e confirmou a presença de carros de Estado. Segundo o repórter, a comitiva contava com batedores da Polícia de Segurança Aeroportuária da Argentina, veículos com placas brasileiras e automóveis de órgãos governamentais argentinos, incluindo uma caminhonete de representação diplomática vinculada ao Ministério das Relações Exteriores da nação vizinha.

Questionamentos judiciais em Assunção e Buenos Aires e a rota internacional

A utilização de recursos e credenciais públicas argentinas para facilitar a passagem do parlamentar brasileiro deflagrou uma crise política e judicial no país vizinho. A Justiça da Argentina emitiu ordens de busca e determinou a preservação imediata de todas as gravações das câmeras de monitoramento da ponte internacional e das dependências do aeroporto de Puerto Iguazú.

Em depoimento prestado ao Fantástico, a deputada argentina Marcela Pagano confirmou ter acionado formalmente as instâncias judiciais para exigir esclarecimentos sobre as facilidades concedidas ao político brasileiro. Pagano enfatizou a gravidade da existência de irregularidades nos cartões de migração, do uso de escolta da força policial e do emprego de veículos diplomáticos sem justificativa oficial. Em contrapartida, o Secretário de Comunicação da Presidência da Argentina, Fabian Fernandez, informou que o governo de Javier Milei não se manifestaria sobre a ocorrência.

A etapa transcontinental da fuga foi contratada junto à operadora aérea argentina Baires Fly por meio de um jato de altíssimo luxo Gulfstream G400. O proprietário da empresa de táxi aéreo, Luis Grande, revelou que o afretamento custou 150 mil dólares, algo em torno de R$ 800 mil. O pagamento foi realizado por uma intermediária sediada nos EUA através de transferência bancária internacional. Veículos da imprensa norte-americana e o jornal argentino Clarín apontaram que a contratação e a liberação do espaço aéreo em Puerto Iguazú contaram com a interferência direta de Jason Miller, estrategista e ex-assessor do presidente Donald Trump.

A aeronave decolou da Argentina na madrugada de quarta-feira, 28 de outubro, realizando uma parada técnica para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, antes de seguir viagem rumo ao estado da Flórida. O pouso final ocorreu no Aeroporto Executivo de Opa-Locka, na região metropolitana de Miami. Em manifestações públicas, o presidente Donald Trump alegou neutralidade sobre as eleições brasileiras, enquanto o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negou qualquer facilitação direta do governo federal nos trâmites, ressaltando que o senador possuía visto válido e teve seu ingresso autorizado dentro da legalidade.



Ontem Adolf Eichmann esteve na TV Globo

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Sobre o debate de ontem na TV  Globo o Brasil pode conhecer o lado mais cruel e sombrio de um sujeito.

A banalidade do mal

O conceito da banalidade do mal foi criado pela filósofa e teórica política germano-americana Hannah Arendt no livro Eichmann em Jerusalém: Um Relato sobre a Banalidade do Mal (1963), após cobrir o julgamento do oficial nazista Adolf Eichmann em Jerusalém, em 1961

Quando Hannah viu Eichmann no julgamento ela  expectativa de encontrar um "monstro" sádico, fanático ou movido por ódio pessoal profundo, Arendt deparou-se com um homem de aparência comum, um burocrata medíocre que falava por clichês e tratava o assassinato em escala industrial como se fosse apenas a execução de tarefas administrativas e cumprimento de metas. Esse foi o Flávio  Bolsonaro ontem.

Primeiro zombou de Lula ter nove dedos, revelando seu capacitismo. Um ser preconceituoso, sem nenhum pudor.

Mas a crueldade viria  depois....

Ao falar do assassinato de uma criança de 5 anos Flávio incorporou seu lado cruel e sem coração e disse que a morte da menina foi uma coisa normal numa operação policial.

O assassino de Ana Clara, Bruno Dias Delaroli, foi preso em flagrante pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. A perícia só encontrou capsulas do fuzil dele em toda a região da cena do crime, não houve confronto, não houve tiroteio. É inacreditável o desrespeito dele com a mãe, Cristiane, que estava no estúdio e ele não teve a dignidade de olhar na cara dela, mas teve a desfaçatez de mentir para todo o Brasil para defender o assassino.

O monstro que defende  o assassino ainda demonstrou tanto desprezo que trocou o nome da menina morta pelo nome da mãe. Isso dá para ver como ele cuidou do processo.

Ontem  Adolf Eichmann esteve na TV Globo

 

Quem são os empresários que promoveram festa para Flávio Bolsonaro com prostitutas durante a pandemia

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Investigados pela CPI da Covid por suspeitas de irregularidades e lavagem de dinheiro, Danilo Trento e Francisco Maximiano buscavam negócios milionários com o governo Jair Bolsonaro; um deles teria presenteado o senador com um Rolex, e ambos tiveram seus interesses defendidos pelo filho do então presidente.


Os empresários Danilo Berndt Trento e Francisco Emerson Maximiano, que promoveram uma festa com prostitutas para Flávio Bolsonaro (PL) durante a pandemia de Covid-19, não são desconhecidos das autoridades brasileiras. Os dois foram investigados pela CPI da Pandemia por suspeitas de irregularidades em contratos milionários com o ex-governo Jair Bolsonaro (PL) e movimentações financeiras que levantaram suspeitas de lavagem de dinheiro. Um deles, Trento, voltou a aparecer em investigações sobre o escândalo dos descontos ilegais de aposentados do INSS e ingressou na disputa eleitoral de 2026.
A festa, realizada em 17 de julho de 2020, em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, foi revelada nesta quarta-feira (21) pela revista piauí. Segundo a reportagem, os empresários, ligados à Precisa Medicamentos, levaram três garotas de programa de São Paulo para participar de um churrasco com o filho mais velho do então presidente, que teria recebido um relógio Rolex de presente de Trento ao final do passeio.
Naquele momento, o Brasil já contabilizava mais de 76 mil mortes por Covid-19, enquanto Jair Bolsonaro minimizava a gravidade da pandemia e o governo federal era pressionado pela demora nas negociações para aquisição de vacinas.

Os dois empresários buscavam ampliar seus negócios com o governo federal. A Precisa Medicamentos, controlada por Maximiano e representada institucionalmente por Trento, viria a protagonizar um dos maiores escândalos investigados pela CPI da Pandemia: a negociação de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, por R$ 1,6 bilhão, em contrato posteriormente cancelado. A empresa, que patrocinou a festa no Lago Paranoá, teve a defesa ferrenha de Flávio Bolsonaro na CPI da Pandemia – veja vídeo abaixo.

Para organizar a festa, os empresários recorreram a Raphael Barão, dono da Barão Turismo, agência que recebeu aproximadamente R$ 4 milhões de empresas do grupo econômico da Precisa somente em 2020.

A investigação da piauí foi construída a partir de entrevistas, documentos financeiros, dados de voos e informações obtidas em quebras de sigilo realizadas por comissões parlamentares de inquérito.

Danilo Trento: do Rolex de Flávio ao escândalo do INSS

Diretor institucional da Precisa Medicamentos, Danilo Berndt Trento era um dos principais articuladores políticos e empresariais do grupo de Francisco Maximiano.

Segundo a piauí, foi ele quem retirou um relógio Rolex do próprio pulso para presentear Flávio Bolsonaro ao final do passeio na lancha. O presente teria sido entregue depois de uma confraternização que durou aproximadamente quatro horas e meia, entre 10h30 e 15h.

O empresário entrou na mira da CPI da Pandemia em 2021, quando parlamentares passaram a investigar sua participação nas negociações da Covaxin e transferências financeiras entre empresas ligadas à Precisa Medicamentos.

Durante depoimento à comissão, em setembro daquele ano, Trento admitiu que já havia encontrado Flávio Bolsonaro em eventos públicos. Questionado sobre suas relações com integrantes do governo e as movimentações financeiras investigadas, recorreu ao direito de permanecer em silêncio, assegurado por habeas corpus.

Segundo o Senado Federal, os parlamentares apontaram indícios de que empresas de Trento e Maximiano participaram de operações suspeitas de lavagem de dinheiro.

O relatório final da CPI recomendou o indiciamento de Trento por fraude em contrato. A recomendação parlamentar, entretanto, não representa condenação judicial.

Cinco anos depois, o empresário voltou ao noticiário policial por outro escândalo que atingiu o governo federal: o esquema de descontos associativos indevidos sobre aposentadorias e pensões do INSS.

Em setembro deste ano, a Folha de S.Paulo revelou que Trento era investigado pela Polícia Federal no caso e que relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram o recebimento de R$ 19,2 milhões da J&F. As transferências, isoladamente, não comprovam participação em crimes.

A ligação com o bolsonarismo também ganhou contornos eleitorais. Em 2026, Trento foi indicado como primeiro suplente de Janaína Riva (MDB) na disputa ao Senado por Mato Grosso, em uma aliança eleitoral que reunia MDB e PL. A candidatura foi registrada na Justiça Eleitoral, embora a composição final da chapa ainda exija conferência de eventuais substituições.

O histórico do empresário reúne, portanto, a participação em negócios investigados pela CPI da Pandemia, suspeitas examinadas no escândalo do INSS e uma incursão eleitoral em uma aliança com o partido de Jair e Flávio Bolsonaro.

Não foi localizada condenação criminal definitiva de Trento pelos fatos relacionados à Covaxin ou às movimentações investigadas na CPI.

Francisco Maximiano: o empresário da Covaxin e a reunião intermediada por Flávio no BNDES

Francisco Emerson Maximiano, conhecido como Max, é o proprietário da Precisa Medicamentos e acumula um histórico de negócios controversos com órgãos públicos que antecede a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Seu nome apareceu em investigações envolvendo contratos com os Correios, a Petrobras, o governo do Distrito Federal e o Ministério da Saúde.

Em 2021, O Globo revelou que Maximiano havia sido citado em delação do ex-vereador Alexandre Romano, que relatou supostos pagamentos ilícitos para viabilizar contratos com a Postal Saúde, plano de saúde dos funcionários dos Correios.

Uma de suas empresas, a Global Gestão em Saúde, recebeu R$ 62 milhões da Postal Saúde. A companhia também firmou contrato de R$ 549 milhões com a Petrobras, posteriormente rescindido pela estatal, que aplicou multa de R$ 2,3 milhões.

Maximiano negou as acusações envolvendo os negócios investigados.

Durante o governo Bolsonaro, o empresário passou a negociar a compra da Covaxin, vacina desenvolvida pela indiana Bharat Biotech. O contrato, de R$ 1,6 bilhão, tornou-se alvo de suspeitas depois que o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda relatou pressões incomuns para viabilizar a operação.

A relação entre Maximiano e Flávio Bolsonaro, entretanto, não se limitou ao passeio de lancha.

Em 13 de outubro de 2020, cerca de três meses depois da festa, o senador intermediou uma reunião entre o empresário e o então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano.

O encontro tinha como objetivo discutir financiamento para um empreendimento no setor de telecomunicações.

Flávio reconheceu ter solicitado a reunião, mas negou manter relações comerciais ou financeiras com Maximiano. O BNDES informou que nenhum financiamento foi contratado.

Durante a CPI da Pandemia, o empresário foi questionado sobre a possibilidade de o senador ter facilitado o acesso da Precisa Medicamentos ao alto escalão do Ministério da Saúde.

Maximiano negou que Flávio tivesse intermediado esse acesso. Questionado sobre uma possível aproximação com Jair Bolsonaro para tratar da Covaxin, recorreu ao direito ao silêncio.

O relatório final da CPI recomendou seu indiciamento por falsidade ideológica, uso de documento falso e fraude em contrato.

As suspeitas não equivalem a uma condenação. Não foi possível confirmar sentença criminal definitiva contra Maximiano pelos fatos relacionados à negociação da Covaxin.

Flávio defendeu empresa na CPI e elogiou diretora: “Demonstração de patriotismo”

A proximidade entre Flávio Bolsonaro e os empresários da Precisa Medicamentos ganhou um capítulo público durante a CPI da Pandemia, em julho de 2021, cerca de um ano depois da festa na lancha.

Ao participar do depoimento de Emanuela Medrades, diretora da empresa de Francisco Maximiano, o senador saiu em defesa das negociações da Covaxin e elogiou a executiva pelo suposto esforço para reduzir o preço da vacina.

“Parabéns pela sua coragem, pela sua firmeza, por não se intimidar quando algumas pessoas tentam praticamente obrigá-la a falar o que querem ouvir”, afirmou Flávio.

Em seguida, o filho do então presidente classificou a atuação da diretora como uma “demonstração de patriotismo”, por supostamente ter negociado uma redução no valor cobrado pelo laboratório indiano.

O elogio contrastava com os preços investigados pela CPI. A Covaxin estava sendo negociada por aproximadamente R$ 80 a dose, valor superior ao de outras vacinas oferecidas ao governo brasileiro.

Flávio também ironizou as denúncias sobre o contrato, argumentando que não havia ocorrido desvio de recursos públicos porque o governo federal não havia desembolsado dinheiro pela compra.

As declarações constam das notas taquigráficas oficiais do Senado. O vídeo do depoimento de Emanuela Medrades está disponível na TV Senado.

A defesa pública da empresa ocorreu depois do encontro privado promovido por seus empresários e da reunião de Maximiano com o presidente do BNDES, intermediada pelo senador. A sequência demonstra a existência de contatos entre os envolvidos, mas não comprova que a manifestação de Flávio na CPI tenha sido uma contrapartida pelos agrados relatados pela piauí.

Raphael Barão: o organizador da festa e os R$ 4 milhões recebidos da Precisa

O terceiro empresário envolvido no episódio é Raphael Barão, proprietário da Barão Turismo, agência contratada por Danilo Trento e Francisco Maximiano para organizar viagens e eventos.

Segundo a piauí, foi Barão quem providenciou a logística da festa, incluindo o deslocamento das três garotas de programa de São Paulo para Brasília.

Na noite de 16 de julho de 2020, os empresários, Barão e as três mulheres embarcaram em um jato executivo Embraer Phenom 300, que aterrissou na capital federal às 22h12. No dia seguinte, participaram do churrasco no Lago Paranoá.

A relação financeira entre a agência de turismo e as empresas da Precisa Medicamentos acabou chamando a atenção da CPI da Pandemia.

Somente em 2020, a Barão Turismo recebeu aproximadamente R$ 4 milhões de empresas do grupo econômico de Maximiano e Trento.

A comissão também examinou a abertura de uma empresa nos Estados Unidos e transferências financeiras entre a agência e companhias ligadas à Precisa.

Durante os trabalhos da CPI, o senador Randolfe Rodrigues levantou suspeitas de que a estrutura empresarial pudesse ter sido utilizada para lavagem de dinheiro.

Barão negou a acusação. As suspeitas estão registradas em documentos oficiais da CPI e na cobertura do Senado Federal.

Não foi localizada condenação criminal definitiva de Barão relacionada às movimentações financeiras investigadas pela comissão.

A festa, o Rolex e as conexões com o clã Bolsonaro

A festa revelada pela piauí acrescenta um novo episódio à relação de Flávio Bolsonaro com empresários interessados em negócios com o governo federal.

O senador teria comparecido ao encontro acompanhado de Alexandre Santini, seu amigo e então sócio em uma franquia da Kopenhagen, no Rio de Janeiro, negócio que já havia aparecido nas investigações sobre o esquema das rachadinhas.

Em setembro deste ano, outra investigação jornalística, publicada pelo PlatôBR, revelou relatos sobre encontros de Flávio com garotas de programa intermediados por Santini, além do recebimento de um Rolex Submariner Date, avaliado em aproximadamente R$ 305 mil, em circunstâncias distintas.

Na festa organizada por Trento e Maximiano, o relógio teria sido entregue pelo próprio diretor da Precisa Medicamentos.

A reportagem da piauí também identificou que o grupo viajou para Brasília em uma aeronave operada pela Prime You, empresa de aviação executiva que posteriormente teve o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entre seus usuários. A informação não estabelece participação de Vorcaro na festa ou nos negócios da Covaxin.

O que chama a atenção é a sucessão de episódios envolvendo Flávio e empresários que buscavam acesso a autoridades e contratos públicos.

Em julho de 2020, o senador teria participado da festa e recebido um Rolex. Três meses depois, intermediou a reunião de Maximiano com o presidente do BNDES. No ano seguinte, defendeu publicamente a Precisa Medicamentos durante a CPI que investigava suspeitas envolvendo a negociação da Covaxin.

A comissão acabou recomendando o indiciamento de Maximiano e Trento. O contrato da vacina foi cancelado sem que o governo federal efetuasse o pagamento previsto.





Lula desafia Flávio Bolsonaro a abrir sigilos bancário e telefônico antes do 2º turno

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Presidente propôs que ambos autorizem acesso aos dados financeiros e telefônicos e entreguem os documentos à Justiça antes do segundo turno.
Lula desafia Flávio Bolsonaro a abrir sigilos bancário e telefônico antes do 2º turno


Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiou Flávio Bolsonaro (PL) a abrir os sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares durante o debate da Band, realizado neste domingo (18). Em meio à troca de acusações sobre corrupção, Lula propôs que os documentos fossem encaminhados à Justiça para análise antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
A proposta surgiu depois de uma sequência de confrontos envolvendo investigações policiais, patrimônio e suspeitas levantadas pelos dois candidatos ao longo do debate.

Lula afirmou que estava disposto a apresentar seus próprios registros bancários e telefônicos e cobrou de Flávio a mesma atitude.

“Eu desafio você e eu, amanhã, amanhã, abrirmos a nossa conta bancária, abrirmos nosso sigilo telefônico, para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país”, declarou o presidente.

O petista argumentou que a apresentação dos documentos permitiria esclarecer as acusações de corrupção que marcaram o confronto entre os presidenciáveis.

Lula estende desafio aos familiares

O presidente também propôs que a medida alcançasse os familiares dos dois candidatos, ampliando o acesso às informações financeiras e telefônicas.

“Eu abro da minha família inteira e você abre da sua família”, afirmou Lula.

Durante a intervenção, o presidente sugeriu encaminhar os documentos ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para que fossem examinados antes da votação.

A proposta foi apresentada como uma forma de permitir que a população conhecesse os resultados da análise dos documentos antes de decidir seu voto.

Presidente cobra explicações sobre patrimônio

O desafio também foi acompanhado de uma cobrança sobre o patrimônio de Flávio Bolsonaro, tema mencionado anteriormente durante o debate.

“Eu perguntei da casa, você não explicou”, afirmou Lula, ao retomar o questionamento dirigido ao senador.

O presidente insistiu na necessidade de esclarecer as suspeitas apresentadas durante a campanha e afirmou que os eleitores não deveriam ser induzidos ao erro por acusações sem esclarecimento.

“Porque, senão, o povo vai ser enganado outra vez”, declarou.

O debate entre Lula e Flávio foi marcado por confrontos envolvendo o Banco Master, investigações sobre familiares dos candidatos e acusações relacionadas à corrupção.

Na parte final de sua intervenção, Lula voltou a dirigir o desafio ao adversário e perguntou se ele estaria disposto a solicitar a abertura dos sigilos já no dia seguinte.

A mediadora interrompeu a fala para informar que o tempo havia terminado. No trecho da gravação analisado, Flávio Bolsonaro não chegou a responder à proposta apresentada pelo presidente.




Flávio Bolsonaro é investigado por lavagem de dinheiro com advogado

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Inquérito apura relação do senador e candidato à Presidência com Willer Tomaz, alvo da Operação Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS
Flávio Bolsonaro é investigado por lavagem de dinheiro com advogado

Flávio Bolsonaro rebate viagem em jato de Vorcaro e diz que aeronave era de Willer Tomaz

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Flávio já confirmou ter uma relação de "amizade legítima" com Willer
Flávio Bolsonaro rebate viagem em jato de Vorcaro e diz que aeronave era de Willer Tomaz

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) minimizou a viagem que fez da Flórida (EUA) a Brasília, em 19 de janeiro de 2025, em um avião que tinha entre os cotistas o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O jato é o mesmo usado em outra viagem pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, o jato pertence ao advogado Willer Tomaz. Flávio não mencionou que a aeronave também pertence a Vorcaro.

"Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes", escreveu o candidato em seu perfil no X (antigo Twitter).

A aeronave é um Legacy 650 de prefixo PP-NLR. Flávio Bolsonaro viajou acompanhado por familiares e pelo advogado Willer Tomaz, de quem é amigo. Tomaz é investigado por suspeitas de ligação com fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A viagem de Flávio e Willer, realizada em janeiro do ano passado foi revelada pelo jornal O Globo na semana passada. Nesta quarta-feira, 23, a piauí mostrou que se tratava do mesmo avião usado por Moraes e que levou o senador a criticar a relação do ministro com Vorcaro.

A aeronave era operada pela empresa Prime You, uma das três detentoras da Fraction 024, dona formal do avião. A Prime entrou na sociedade em 2024, meses antes da viagem de Flávio. A Prime diz que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios entre 2021 e setembro de 2025. Os outros dois sócios do avião eram Willer Tomaz e Laércio Cosentino, fundador da TOTVS.

A amizade entre Flávio e Willer

Em outras ocasiões, Flávio já confirmou ter uma relação de "amizade legítima" com Willer. e disse que "qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos". Os dois, por exemplo, foram a um safári na África do Sul em 2025.

A relação entre Flávio e Willer também se estendeu a outros episódios.

 Documentos e relatos obtidos pelo Broadcast/Estadão, no dia 3 de abril deste ano, indicam que Flávio realizou ao menos duas viagens com a família, em 2025, em jatinhos emprestados por empresários. Em 1º de maio, viajou para a Flórida com a esposa e Willer em um avião executivo de longo alcance emprestado por um empresário. Em outra ocasião, o destino foi o Rio de Janeiro, em uma aeronave pertencente ao próprio Willer Tomaz. Durante a campanha deste ano, Flávio também utilizou um apartamento de propriedade da empresa do advogado.