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Indígenas da TI Apyterewa receberam ameaças sobre invasão logo após o segundo turno, em caso de vitória do senador; governo federal monitora o caso
Governo federal em alerta
As ameaças chegaram ao centro do governo federal. Os áudios e os relatos foram pautados na reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula (PT) realizada na última quinta-feira (8). Polícia Federal, Ibama, Funai e Ministério dos Povos Indígenas afirmaram que monitoram a situação. A pasta declarou acompanhar o “aumento da pressão para a ocupação ilegal do território” e informou, em nota, que o Comitê “deliberou pelo reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado, a fim de intensificar a manutenção da desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais”.
A gravidade do cenário é reconhecida internamente. Um agente da Polícia Federal, sob anonimato, disse à Folha que as informações de inteligência sobre as ameaças aos Parakanã são “sólidas e preocupantes”. O silêncio dos políticos citados nas mensagens contrasta com a movimentação dos órgãos federais: enquanto PF, Ibama, Funai e o Ministério dos Povos Indígenas acionam protocolos de segurança, nem a campanha de Flávio Bolsonaro nem a gestão estadual do Pará apresentaram qualquer posicionamento sobre as ameaças registradas.
Histórico de devastação na Apyterewa
A Terra Indígena Apyterewa, localizada próxima ao rio Xingu, no Pará, carrega um histórico de violência. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o desmatamento no território disparou: dados do Inpe mostram que a área destruída saltou de 18,9 km² em 2018 para 85,3 km² em 2019, primeiro ano da gestão Bolsonaro, e atingiu o recorde de 102,2 km² em 2022. Com a chegada do governo Lula, o número recuou para 20,6 km² em 2023, mas a pressão sobre o território nunca cessou.
A ocupação ilegal chegou a produzir estrutura física permanente dentro da área protegida: pecuaristas construíram uma pequena cidade dentro da Apyterewa, conhecida como Vila Renascer. A existência dessa ocupação ilegal consolidada é evidência de que as ameaças atuais não partem do zero. A Apyterewa foi também um dos territórios objeto da ADPF 709, ação ajuizada no Supremo Tribunal Federal para garantir a proteção de terras indígenas. O que os áudios revelados pela Folha indicam é que, para parte dos fazendeiros da região, um resultado eleitoral favorável seria suficiente para retomar o avanço sobre um território que o Estado brasileiro reconhece e é obrigado a proteger.

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