Mulheres de direita articulam ação nos EUA por ataques de grupo de Eduardo Bolsonaro a Michelle e Damares

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Mulheres de direita articulam ação nos EUA por ataques de grupo de Eduardo Bolsonaro a Michelle e Damares



Grupo de conservadoras racha bolsonarismo e acusa nomes ligados a Eduardo, como Allan dos Santos e Paulo Figueiredo, de calúnia, difamação e injúria após vídeos de Michelle "Firmo" Bolsonaro contra Flávio Bolsonaro.
Por: Plínio Teodoro
Entre os alvos estão os influenciadores Allan dos Santos e Paulo Figueiredo, foragido da Justiça brasileira e que são ligados a Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA. A mobilização ganhou força após a divulgação de vídeos em que Michelle Bolsonaro critica seu enteado, o pré-candidato Flávio Bolsonaro, o que desencadeou uma onda de ataques coordenados contra a ex-primeira-dama e suas aliadas dentro do próprio campo da direita.
Mulheres de direita buscam Justiça nos EUA contra bolsonaristas
Segundo a jornalista, o grupo é formado por mulheres conservadoras que atuam na política e entende que integrantes do bolsonarismo estão disseminando ataques coordenados nas redes sociais contra quem se posiciona publicamente sobre temas sociais. As publicações, na avaliação dessas mulheres, configurariam crimes de calúnia, difamação e injúria, passíveis de processo também no sistema jurídico americano. Um advogado nos Estados Unidos já teria sido procurado para analisar o caso e examinar as provas reunidas pelo grupo.
Um dos alvos centrais da possível ação é Allan dos Santos, influenciador que opera a partir dos Estados Unidos e é considerado foragido da Justiça brasileira. A escolha do terreno jurídico americano não é acidental: parte das figuras identificadas pelo grupo como responsáveis pelos ataques reside ou atua a partir do exterior, o que torna o acionamento da Justiça brasileira insuficiente, na avaliação das envolvidas. A iniciativa representa uma inflexão relevante: mulheres que sempre estiveram no campo bolsonarista passam a usar contra seus próprios correligionários os instrumentos legais que o movimento costuma ignorar ou ridicularizar quando acionados por adversários.
Aumento dos ataques e o racha no bolsonarismo
A escalada dos ataques tem data e gatilho precisos. A partir de 27 de junho, três dias após Michelle Bolsonaro publicar vídeos em que acusa Flávio Bolsonaro de tê-la maltratado, o volume de críticas à ex-primeira-dama nas redes disparou. Levantamento da consultoria Bites, obtido com exclusividade pelo jornal O Globo, mostra que um terço das 300 mil menções a Michelle Bolsonaro nas redes sociais nesse período continha críticas a ela. Os termos mais recorrentes foram “Michelle Firmo” (seu nome de solteira, usado de forma depreciativa), “Dona Michelle” (com ironia), “traidora” e “feminista”, este último empregado como xingamento dentro de um campo que sempre se apresentou como defensor da família tradicional.
Além de Michelle, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), figuram entre os alvos mais frequentes dos ataques. Segundo a análise da Bites, nomes como o blogueiro Allan dos Santos, o influenciador Paulo Figueiredo e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) estiveram entre os que atacaram Michelle ou defenderam Flávio Bolsonaro no período. O padrão é revelador: a mesma rede de perfis e influenciadores que durante anos operou para atacar adversários da esquerda e do centro agora direciona sua artilharia contra figuras do próprio campo, sem alterar o método, apenas o alvo.
Implicações e próximos passos
A dimensão política da disputa já extrapolou as redes. Segundo Ana Flor, as reclamações sobre os ataques chegaram ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e ao próprio Flávio Bolsonaro, o que indica que a crise não é apenas uma briga de influenciadores, mas uma fissura que atinge a estrutura partidária. O fato de que as mulheres atingidas sentiram necessidade de levar o problema à cúpula do partido revela tanto a gravidade percebida dos ataques quanto a ausência de mecanismos internos capazes de contê-los.
O escopo da possível ação judicial pode ser ainda mais amplo do que o inicialmente anunciado. O grupo avalia incluir episódios de ataques contra mulheres de esquerda atribuídos aos mesmos perfis bolsonaristas, o que transformaria a denúncia em algo que vai além de uma disputa interna e aponta para um padrão sistemático de violência digital. Essa possibilidade, se confirmada, daria à ação um alcance político e simbólico considerável: seriam mulheres conservadoras fornecendo à Justiça americana evidências sobre uma rede de ataques que também vitimou adversárias progressistas.
O episódio expõe, com clareza pouco usual, a lógica que sustentou o ecossistema digital bolsonarista por anos. A “cultura do ódio” e a desinformação funcionaram enquanto havia um inimigo externo bem definido. Quando a disputa interna pelo espólio político do bolsonarismo se acirrou, os mesmos instrumentos foram redirecionados para dentro, sem qualquer freio. Que as primeiras a buscar responsabilização legal sejam justamente mulheres do campo conservador é uma ironia que o próprio movimento criou, ao normalizar ataques como ferramenta política sem distinguir aliados de adversários.

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