Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado dos ministros da Justiça, Flávio Dino, e da Defesa, José Múcio Monteiro, anunciou mais uma operação de Garantia da Lei da Ordem (GLO), com emprego de unidades do Exército, Marinha e Aeronáutica, para combater o tráfico de drogas e de armas, porém limitado aos portos e aeroportos do Rio de Janeiro. Atuarão conjuntamente com a Polícia Federal (PF) e a PRF. Lula atendeu ao pedido do governador fluminense Cláudio Castro, que perdeu o com trole da situação. A operação ocorrerá, também, no Aeroporto de Guarulhos e no lago de Itaipu, que fazem parte da rota do tráfico de drogas.
No Rio, serão empregados 2 mil homens do Exército, 1.110 da Marinha e 600 da Aeronáutica, que farão a fiscalização e o controle de portos e aeroportos, com poder de polícia para efetuar prisões. A PRF cuidará das estradas e a PF das operações de inteligência e prisões, como as realizadas ontem. A operação deve durar até maio.
O que acontecerá depois? Provavelmente, os traficantes e milicianos, cada vez mais associados e engenhosos, voltarão a atuar. O governo federal vai enxugar gelo.
A operação anunciada é mais uma resposta política ao caos na segurança pública do Rio do que um plano efetivo para restabelecer o controle do Estado sobre os “territórios” ocupados por traficantes e milicianos, o maior problema do Rio, que agora se estende para outras regiões do país. Esse modelo da “territorialização” do crime organizado é o grande problema a ser enfrentado.
Entretanto, não existe crime organizado sem participação de agentes do Estado, nos batalhões e delegacias que deveriam cuidar da segurança pública nesses territórios. A infiltração de traficantes e milicianos nessas instituições, e até no Judiciário do Rio, é uma realidade que precisa ser enfrentada de fora para dentro. Inclusive, porque já mira as Forças Armadas, como são exemplos a utilização do avião presidencial para tráfico de drogas por um sargento da Aeronáutica, no governo Bolsonaro, e o roubo de 22 metralhadores do arsenal do Exército, em São Paulo. Ontem, um sargento do Exército também foi preso na operação da PF contra milicianos no Rio.
O governo só vai parar de enxugar gelo quando houver uma revisão da política antidrogas, para diminuir a população carcerária, e um expurgo nas policiais militares e civis, cuja banda podre precisa ser investigada e presa
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